Sinais de alerta no neurodesenvolvimento infantil: quando procurar avaliação?
Desde os primeiros anos de vida, o cérebro das crianças está em intensa transformação — novas conexões se formam, habilidades se desenvolvem, e cada estímulo conta. Para muitos pais, pode surgir a dúvida: “É só um jeitinho do meu filho — ou será algo que precisa de atenção?” No Brasil, um estudo recente do Ministério da Saúde apontou que cerca de 12% das crianças de até 5 anos têm suspeita de atraso no desenvolvimento.
Neste texto vamos ajudar você a entender: quais são os marcos esperados por faixa etária, quais sinais acendem o alerta, e quando realmente vale buscar uma avaliação especializada no campo do neurodesenvolvimento infantil.
1. O que é “desenvolvimento infantil” e porque ele importa
O desenvolvimento infantil engloba diferentes áreas:
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Motora (como engatinhar, caminhar)
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Linguagem (balbucio, primeiras palavras, frases)
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Cognitiva (atenção, memória, solução de problemas)
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Social/emoscional (interagir, brincar, regras).
Aos primeiros sinais de desvio ou atraso — por exemplo, não balbucia aos 9 meses, não anda aos 18 meses, não aponta para objetos aos 15–18 meses — vale observar com atenção. Quanto mais cedo for identificado um atraso ou transtorno, maiores as chances de intervenção e melhores os resultados.
2. Marcos esperados por faixa etária (exemplo simplificado)
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Até 6 meses: sorri, vocaliza, acompanha com os olhos.
Entre 6 e 12 meses: senta com apoio, engatinha ou se movimenta, diz “mamã”, “papá” ou semelhante.
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Entre 12 e 24 meses: anda sozinho, fala pequenas palavras, aponta, imita atividades.
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Até 3 anos: combina palavras em frases, brinca com outras crianças, explora o ambiente.
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Até 5 anos: fala corretamente, segue instruções de dois ou três passos, participa de brincadeiras simbólicas.
(Sugestão: pode inserir infográfico com marcos e quadro de verificação)
3. Sinais de alerta que indicam buscar avaliação
Alguns sinais merecem atenção especial:
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Pouca ou nenhuma vocalização ou palavras até 18–24 meses.
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Não responde ao nome ou evita contato ocular.
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Andar somente na ponta dos pés ou movimento repetitivo (estereotipias).
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Dificuldade persistente de manter atenção ou seguir instruções simples.
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Perda de habilidades já adquiridas.
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Grande desproporção entre o uso da linguagem e a compreensão (ex: fala muito, mas não interage).
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Criança não brinca de faz-de-conta ou imitação até os 3 anos.
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Hiperatividade ou impulsividade fora do esperado para a idade, dificuldade escolar persistente (até com estratégias).
4. Por que a avaliação precoce é tão importante
Quanto mais cedo detectarmos um possível problema no neurodesenvolvimento (como atrasos, distúrbios da linguagem, transtornos do espectro autista ou TDAH), mais cedo podemos agir com intervenção adequada. Intervenção precoce = maior plasticidade cerebral, melhores ganhos cognitivos, sociais e adaptativos.
Além disso, identificação precoce permite que a família receba orientação adequada, e a criança não fique “perdendo tempo” sem estímulos adequados.
5. O que envolve uma avaliação especializada
A avaliação normalmente é multidisciplinar: neuropediatra ou pediatra especializado, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, neuropsicopedagogo (Neuropsicopedagogia) etc.
Ela pode envolver:
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Entrevista com pais/cuidadores
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Observação direta da criança
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Aplicação de escalas de desenvolvimento/triagem
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Verificação de audição, visão e outras condições que podem interferir.
Dependendo do resultado, o profissional vai orientar: “aguardar com monitoramento”, “iniciar estimulação precoce”, “investigar transtorno específico”.
6. O que pais/família podem fazer enquanto aguardam ou acompanham
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Estabelecer rotina de estímulos positivos: livros, conversas, brincadeiras.
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Reduzir tempo excessivo de tela e favorecer atividades sensoriais, lúdicas e de movimento.
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Focar em interações sociais: olhar no olho, nomear objetos, brincar junto.
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Comunicar-se com a escola ou creche: partilhar observações, garantir continuidade.
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Manter acompanhamento com saúde (pediatra, UBS) e registrar marcos de desenvolvimento (por exemplo, na caderneta da criança).
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Evitar comparar a criança com outras; cada uma tem seu ritmo, mas se há sinais de alerta, melhor agir.
7. Quando contactar a Neurokids
Se você observa alguns dos sinais mencionados acima ou tem dúvidas persistentes, marque uma consulta conosco na Neurokids. Aqui nossa abordagem é interdisciplinar, acolhedora, fundamentada em evidências científicas e respeita o tempo da criança e da família. Podemos realizar avaliação, orientar estimulação e encaminhamento, sempre em parceria com vocês.
Conclusão
Observar o desenvolvimento do seu filho não é motivo de ansiedade, mas de atenção informada. Estar atento aos marcos, conhecer os sinais de alerta e buscar avaliação quando necessário são passos de carinho, cuidado e responsabilidade. Quanto mais cedo formos parceiros no cuidado, maiores as chances de que a criança alcance seu pleno potencial.
Se você gostou desse conteúdo, compartilhe com outros pais/cuidadores e acompanhe o blog da Neurokids para mais temas que importam no mundo infantil e neurodesenvolvimento.

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